DEVOÇÃO A SANTÍSSIMA VIRGEM
I. A devoção a Maria em geral
Como não há graças com que Deus nos favorece, que não sejam obtidas pela intercessão de Maria, ou, como diz São Bernardo, que não passem pelas suas mãos, não há também homenagem de respeito que não lhe devamos prestar em testemunho da nossa gratidão.
É este princípio a fonte das várias devoções que o Espírito Santo inspira aos santos, para facilitar aos filhos dela os meios de honrá-la e de consagrar-se a seu serviço.
A devoção a Maria, dizem os Santos Padres, é um sinal certo de predestinação.
É impossível, diz Santo Anselmo, que se percam aqueles que Maria Santíssima protege.
É, pois, necessário que os seus protegidos sejam justificados e glorificados. Um Santo Padre diz que mesmo se uma pessoa falasse a língua dos homens e dos anjos, ser-lhe-ia ainda assim impossível exprimir as vantagens da devoção à Santíssima Virgem. A eternidade não será longa demais para admirar os bens imensos, que dela nos vêem; mas seu valor fica escondido na terra, e o mundo não o conhece.
Santo Antônio assegura que toda a espécie de bens lhe chegaram pela devoção à Santíssima Virgem Maria.
O sábio idiota sustenta que achando Maria acham-se todos os bens.
Quem diz tudo nada excetua. Aliás a experiência de todos os séculos nos ensina, nota um santo autor, que os demônios receiam decerto os jejuns, as vigílias, as austeridades, as penitências, orações e esmolas, mas perderam vários que se entregaram a estes santos exercícios; nunca, porém, chegaram a perder uma alma verdadeiramente devota da Santíssima Virgem.
É uma verdade constante que nunca houve um santo que não fosse grande devoto da Santíssima Virgem; e que não há grande devoto de Maria que não seja santo. Se puser a minha confiança na Santíssima Virgem, diz São João Damasceno, serei salvo.
São Germano, Patriarca, nos assevera que a proteção de Maria ultrapassa todas as nossas concepções, de modo que nos é impossível compreender a sua força e extensão.
São Boaventura, nos afirma que os que exaltam Maria não cairão no inferno, porque há bens imensos preparados para aqueles que a servem; e tendo em suas mãos a própria salvação, ela a concederá a seus servos. É, pois, importantíssimo e necessário tudo envidar para merecer a sua proteção!
II. A Santa Escravidão
Entre as santas devoções usadas para honrar a Santíssima Virgem, queridas e adotadas pelos filhos verdadeiros da Igreja Católica, uma das mais antigas e mais amorosas é a da Santa Escravidão.
É o resumo das demais devoções; não há nenhum dos privilégios da Mãe de Jesus que não seja dignamente honrado por ela.
Pois a Santíssima Virgem é maior, a mais elevada e a mais eminente de todas as criaturas, também as homenagens a Ela prestadas, devem ser as mais submissas, as mais profundas e as mais humildes de quantas houver depois das que devemos a Deus.
Ora, como não há homenagem mais profunda que a abnegação, parece que a Santa Escravidão é o culto mais apropriado à sua grandeza.
Convém observar que sendo a criação obra exclusiva de Deus e não da Santíssima Virgem, não podemos confessar-nos criaturas d’Ela, pois esta honra só a Deus cabe.
Como, porém, Ela é a Mãe d’Aquele que nos retirou da escravidão do demônio, não pode haver homem que, sem ingratidão, não a reconheça por sua senhora, nem se honre por ser seu escravo.
Como diz muito bem São João Damasceno, quando Deus se fez homem para resgatar-nos, pôs aos pés de sua Mãe todas as criaturas.
Aliás, Maria forneceu a moeda com que se pagou a carne de Jesus Cristo, que é a carne de Maria: “Caro Christi est caro Mariae”.
Por nossa condição somos, pois, seus servos; devemos também sê-lo por zelo e desejo, pois esta devoção está fundada sobre o exemplo de Jesus Cristo que para abrigar-nos a reconhecer a sua Mãe Santíssima como Senhora Nossa quis submeter-se a Ela durante os trinta primeiros anos de sua vida, como o faz notar o Evangelho: “Erat subditus illis”.
De fato, durante todo este tempo, o Salvador vivia sob a autoridade de sua Mãe; e, em consideração a Ela, quis submeter-se até a São José, por ser este o esposo de sua Mãe Santíssima.
III. Deveres da Santa Escravidão
A devoção da Santa Escravidão à Virgem Santíssima outra coisa não é que uma obrigação de amor e um santo contrato com a Mãe de Jesus, pelo qual alguém se consagra a seu serviço, proclamando-a Senhora de seu coração, cedendo-lhe o direito que tem sobre suas próprias obras, dedicando-se inteiramente a Ela, e fazendo-lhe uma Consagração total de si mesmo.
Esta Mãe de misericórdia por sua parte obriga-se a ser para os seus escravos tudo o que uma senhora boa é para seus servos, alcançando-lhe todas as graças necessárias para, um dia, poderem ir-lhe fazer companhia no céu.
E, como outrora os escravos traziam sobre si um sinal por que se conheciam os seus donos, os escravos de Maria Santíssima mandam benzer uma pequena corrente de prata, ou de qualquer outro metal, para trazê-la a vida inteira, como um sinal exterior da sua dependência a Maria.
“Escutai, — diz o Espírito Santo no Eclesiástico (cap. 4), onde tudo o que é dito sobre a sabedoria é aplicado a Maria pelos Santos Padres — escutai, meu filho, o sábio conselho que quero dar-vos; não deixeis de estimá-lo: metei os seus ferros aos pés, seu colar no pescoço, e não vos recuseis a carregar as suas correntes.
Além disso, do mesmo modo que os escravos devem a seus senhores um tributo, assim os escravos de Maria lhe devem um duplo tributo: o primeiro é pago quando entram na confraria tomando as correntes.
Este tributo será a devoção de cada um: recitar o ofício, o rosário, dar esmola, ou fazer uma penitência, oferecer a Nossa Senhora uma vela no seu altar, ou mandar celebrar uma Santa Missa, etc.
O segundo tributo consiste em qualquer oraçãozinha conforme a devoção de cada um; por exemplo: a coroa de Maria Santíssima em honra dos seus doze privilégios, a qual consta de três Pai-Nossos e doze Ave-Marias; o que se chama o terço da Santa Escravidão.
Esta oração é muito agradável a Maria Santíssima e autorizada por muitos milagres e indulgenciada pelos soberanos Pontífices.
Além disso, é tão curta e fácil, que se pode recitar em poucos minutos e em qualquer tempo e lugar.
Convém notar que tudo isso não obriga sob pena de pecado; como diz São Francisco de Sales: os estatutos e as práticas das confrarias são de conselho e não de preceito.
IV. A Confraria da Santa Escravidão
Para entrar na confraria é preciso escolher um dia da sua devoção, e, tendo feito uma boa confissão e Comunhão com intenção de ganhar a indulgência plenária, apresentar-se ao sacerdote que tenha o poder de admitir na confraria, mandar benzer as correntinhas é recebê-las das mãos dele.
Pronuncia-se depois a Consagração à Santíssima Virgem diante de seu altar, com toda a devoção possível, e inscrever-se-á o nome no livro da confraria da Santa Escravidão da Santíssima Virgem.
Amarrem-se as correntinhas no lugar onde se pretende usá-las. Bom seria mandar benzer também o terço da Santa Escravidão.
Os escravos da Mãe de Jesus devem marcar um dia para celebrarem anualmente o aniversário da sua entrada na confraria.
Além disso, há todos os anos uma festa principal que os confrades devem solenizar de modo particular. A Santa Sé determinou a festa da Anunciação para este fim. Neste dia, deverão renovar a Consagração e os protestos que fizeram à Mãe de Jesus.
Deverão confessar-se comungar em ação de graças pelo favor que lhes fez a Santíssima Virgem recebendo-os como escravos, oferecendo-lhe a boa obra que querem fazer em honra dela, dizendo:
“Eis, minha querida Senhora, o humilde tributo que vos ofereço em agradecimento do domínio que tendes sobre o meu coração, depois de Deus, obtendo-me a graça de ser por vós recebido no céu, para oferecer-vos um tributo eterno de bênçãos e de louvores em companhia de todos os santos!”
Todo fiel servo da Santíssima Virgem deve:
- Ter nela uma grande confiança;
- Recorrer a Ela em todas as necessidades;
- Não passar nem um dia sem dirigir-lhe qualquer oração;
- Confessar-se e comungar nos dias das suas festas;
- Mostrar a sua devoção diante dos mundanos;
- Fazê-la conhecida e amada pelos outros;
- Levar uma vida digna dela pela imitação das suas virtudes, em particular de seu espírito de fé da sua pureza;
- Ter no quarto ou gabinete uma de suas imagens ou estátuas para honrá-la;
- Lembrar-se de que o sábado lhe é consagrado;
- Pedir-lhe todos os dias a graça da perseverança final.
V. A Antiguidade da Santa Escravidão
A devoção da Santa Escravidão é tão antiga que se encontra, nas crônicas da cidade de Saragoça, um monumento autêntico nos seguintes termos: Um dia em que o Apóstolo São Tiago rezava pela conversão dos Espanhóis e estava prostrado ao lado de uma coluna de jaspe na qual havia gravado, com o dedo, o sinal da cruz, a Virgem Santíssima lhe apareceu em cima da coluna, tal uma soberana sobre um trono, e lhe ordenou que estabelecesse uma devoção em sua honra, que seria a de seus fiéis escravos.
Não nos surpreende que se tenha ela espalhado no mundo inteiro, e que tantos reis, rainhas, príncipes e princesas, Cardeais, Arcebispos, Bispos, gerais de ordens e tantos santos a tenham abraçado, que Soberanos Pontífices a tenham aprovado e enriquecido de indulgências!
As grandes graças que a Virgem Santa tem alcançado para seus escravos, e que diariamente lhes comunica, demonstram o quanto lhe agrada esta devoção.
Sabemos, aliás, que Maria não se deixa vencer em generosidade!
Sou o vosso servo, ó Virgem Santa, dizia São Boaventura, e o menos dos vossos servos.
Santo Odilon, abade de Cluny, foi o primeiro que praticou esta devoção. Viveu em 1040, há, pois, mais de 900 anos. Consagrou-se a Maria para ser seu escravo todos os dias da sua vida, como o conta o seu historiador Lofardo.
O Bem-Aventurado Marin consagrou-se a Maria Santíssima como escravo, desde 1079, e nos assegura que esta doce Medianeira veio visitá-lo durante a sua última moléstia e lhe prometeu a felicidade eterna.
O Bem-Aventurado Vantier de Birbac foi um dos dignos escravos de Maria, a quem esta boa Mãe concedeu grandes favores, como se pode ler em sua vida.
Santa Matilde foi uma devotíssima escrava de Maria Santíssima.
O Venerável Vicente Carafa, sétimo geral da Companhia de Jesus, trazia ao pé um círculo de ferro para exprimir a sua escravidão à Santíssima Virgem.
O Pe. João de Lavalier, ilustre Mártir Jesuíta no México, era igualmente um fervoroso praticante da Santa Escravidão.
O rei católico Felipe III, Ladislau, rei da Polônia, Maria, rainha de França, mãe de Luís XIII, Margarida de Lorena, duquesa de Orleans; o cardeal Infant, o cardeal de La Guena, o duque de Baviera, Carlos Emanuel, duque de Sabóia com todos os seus filhos, o cardeal Maurício e o cardeal Bérulle, todas estas augustas e ilustres personagens ufanaram-se de ser escravos da Santíssima Virgem, e de trazer sobre si as correntes de ferro que os ligavam a esta Mãe de misericórdia, e de inscrever os seus nomes entre os associados da Santa Escravidão.
Uma infinidade de pessoas de todos os estados, sexo, idade e posses imitaram estes exemplos. Gergório XIII, Urbano VIII, Alexandre VII, Clemente XII concederam numerosas indulgências em diversas ocasiões, tanto pelas Bulas que consagraram aos escravos da Bem-aventurada Virgem, como os chama Urbano VII em sua Bula: “Cum sicut accepimus”, no intuito de aumentar o número das confrarias e dos escravos. Pois julgava que estes meios são bem apropriados para se alcançarem as graças da salvação eterna e merecer a proteção tão necessária desta poderosa Soberana que é a porta do céu: “Janua coeli”.
São Boaventura exclama: Ó Virgem Santa, aquele que vós amais será salvo, e aquele que desprezais perecerá para a eternidade.
VI. Razões da Santa Escravidão
Para dar um último esclarecimento sobre a devoção da Santa Escravidão, direi que nenhum daqueles que têm a peito a salvação da sua alma deve deixar de entrar nesta santa confraria, e tornar-se escravo da augusta Mãe de Deus.
Três razões principais devem decidi-los a aderir a esta devoção:
- Primeiramente, a facilidade que há em recitar a coroa da Santa Escravidão, que consiste em três Pai-Nossos e doze Ave-Marias.
- Segundo, os grandes proveitos que daí promanam: numerosas indulgências, preservação de muitos males e perigos, e participação de tantas boas obras.
- Terceiro, o amor e a devoção que devemos à Santíssima Virgem, de quem tanto precisamos e que alcançará mil graças e benefícios, o perdão e a salvação para os seus devotos fiéis.
Foi revelado a uma alma do século passado que todos os que se consagram à Santíssima Virgem como escravos gozarão no céu de uma glória particular.
Como diz Santo Anselmo: “Maria goza de tanto poder perto de Deus, que Ela faz o que quer!”
Ai de nós! Há pessoas deste mundo que comprometem a sua saúde e se expõem a todos os perigos por causa de um lucro temporal! Há os que atravessam os mares, arriscam os seus bens e a sua vida, para alcançar um benefício, embora incerto… E nós não faríamos nada para salvar a nossa alma, que deve viver eternamente com Deus?
Se pensássemos bem nestes termos: eternamente felizes ou eternamente desgraçados, não nos descuidaríamos dos meios de assegurar-nos uma felicidade eterna.
VII. Confraria da Santa Escravidão
A revista francesa donde traduzimos a presente notícias conclui:
Vimos uma senhora piedosa que havia conhecido o santo Cura d’Ars. Por meio dele havia conhecido a sua vocação. Sentia desejos de entrar no convento. O santo Cura lhe declarou que tal não era a vontade de Deus.
A confraria da escravidão da Mãe de Deus existia em Ars; o santo nela inscreveu a sua penitente. A fórmula de recepção que se segue e que esta mesma senhora me entregou vem assinada pela sua própria mão; é, pois, uma prova autêntica da sua estima e de seu amor para esta forma de devoção.
Conserva esta Consagração como uma relíquia do santo Cura.
Fórmula de recepção
Santa Escravidão da Mãe de Deus
Nós, João Batista Vianney, sacerdote ligado à devota associação da Santa Escravidão da Imaculada Mãe de Deus, desejando enquanto possível estender a glória desta Rainha do céu e contribuir para a salvação do próximo, recebemos como membro da mesma associação… A.D … no dia 12 de janeiro de 1853, e admitimo-la à participação de todas as graças espirituais, que já foram ou serão concedidas no futuro a esta confraria, contanto que ela cumpra as obrigações com piedade e exatidão.
Eu, … A.D. …no dia 12 de janeiro de 1853 aceito de bom coração as gloriosas correntes que me ligam para sempre no serviço da amável Virgem, Mãe de Deus, em qualidade de sua escrava, e tomo a resolução de fazer todas as minhas ações em sua honra e para a maior glória de Deus.
S. João Maria Vianney
Livro: O Santo Cura D'Ars
Sermões
Santos e Demônios
S. João Maria Vianney
Sermão sobre a Pureza
“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. (Mt.5,8)
Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em
massa, aprender dEle o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e,
abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a
Deus.” Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas
palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza
nos torna agradáveis a Ele, e quanto ele nos é necessária? Pois, segundo Jesus
Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais! “Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo,
os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior
recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse
das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade? ... S. Paulo, que
conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz: “Glorificai a
Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande
pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de
Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado
de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que
pode desonrar vossos corpo e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza
mesma”. (I Cor, 6, 15-20) Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa,
não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele
faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a
conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja,
e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que
no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza
mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a
quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu
templo... Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que
vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna
semelhantes aos anjos!... Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é
necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus. Eu queria fazervos
conceber desta virtude uma idéia digna de Deus, e vos mostrar, 1º. quanto ela
nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as
nossas ações, e 2º. o que nós devemos fazer para conservá-la.
I – Quanto a pureza nos torna agradáveis a Deus
Seria preciso, meus irmãos, para vos fazer compreender bem a estima que devemos
ter desta incomparável virtude, para vos fazer a descrição de sua beleza, e vos fazer
apreciar bem seu valor junto de Deus, seria preciso, não um homem mortal, mas um
anjo do céu. Ouvindo-o, vós diríeis com admiração: Como todos os homens não
estão dispostos a sacrificar tudo antes que perder uma virtude que nos une de uma
maneira íntima com Deus? Procuremos, contudo, conceber dela alguma coisa,
considerando que dita virtude vem do céu, que ela faz descer Jesus Cristo sobre a
terra, e que eleva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e
com o próprio Jesus Cristo. Dizei-me, meus irmãos, de acordo com isto, acaso não
merece ela o título de preciosa virtude? Não é ela digna de toda nossa estima e de
todos os sacrifícios necessários para conservá-la? Nos dizemos que a pureza vem do
céu, porque só havia o próprio Jesus Cristo que fosse capaz de no-la ensinar e nos
fazer sentir todo o seu valor. Ele nos deixou o exemplo prodigioso da estima que
teve desta virtude. Tendo resolvido na grandeza de sua misericórdia, resgatar o
mundo, Ele tomou um corpo mortal como o nosso; mas Ele quis escolher uma
Virgem por Mãe. Quem foi esta incomparável criatura, meus irmãos? Foi Maria, a
mais pura entre todas e por uma graça que não foi concedida a ninguém mais, foi
isenta do pecado original. Ela consagrou sua virgindade ao Bom Deus desde a idade
de três anos, e oferecendo-lhe seu corpo, sua alma, ela lhe fez o sacrifício mais
santo, o mais puro e o mais agradável que Deus jamais recebeu de uma criatura
sobre a terra. Ela manteve este sacrifício por uma fidelidade inviolável em guardar
sua pureza e em evitar tudo aquilo que pudesse mesmo de leve empanar seu brilho.
Nós vemos que a Virgem Santa fazia tanto caso desta virtude, que Ela não
queria consentir em ser Mãe de Deus antes que o anjo lhe tivesse assegurado
que Ela não a perderia. Mas, tendo lhe dito o anjo que, tornando-se Mãe de Deus,
bem longe de perder ou empanar sua pureza de que Ela fazia tanta estima, Ela seria
ainda mais pura e mais agradável a Deus, consentiu então de bom grado, a fim de
dar um novo brilho a esta pureza virginal. Nós vemos ainda que Jesus Cristo
escolhe um pai nutrício que era pobre, é verdade; mas ele quis que sua pureza
estivesse por sobre a de todas as outras criaturas, exceto a Virgem Santa.
Dentre seus discípulos, Ele distingue um, a quem Ele testemunhou uma
amizade e uma confiança singulares, a quem Ele fez participante de seus
maiores segredos, mas Ele toma o mais puro de todos, e que estava consagrado
a Deus desde sua juventude.
Santo Ambrósio nos diz que a pureza nos eleva até o céu e nos faz deixar a terra,
enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela nos eleva por sobre a criatura
corrompida e, por seus sentimentos e seus desejos, ela nos faz viver da mesma vida
dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço
aos olhos de Deus maior que a dos anjos, pois que os cristãos só podem adquirir
esta virtude pelos combates, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos
não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é
obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. S. Cipriano acrescenta que,
não somente a castidade nos torna semelhantes aos anjos, mas nos dá ainda um
caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Sim, nos diz este grande santo,
uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.
Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões,
mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele a
olha, Ele a considera como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objeto de
suas mais caras complacências, e fixa nela sua morada para sempre. “Bemaventurados,
nos diz o Salvador, os puros de coração, porque eles verão ao bom
Deus”. Segundo S. Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí
todas as outras virtudes cristãs, ela as praticará com uma grande facilidade,
“porque” - nos diz ele – “para ser casto é preciso se impor muitos sacrifícios e fazerse
uma grande violência. Mas uma vez que alcançou tais vitórias sobre o demônio, a
carne e o sangue, todo o resto lhe custa muito pouco, pois uma alma que subjuga
com autoridade a este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que
encontra no caminho da virtude”. Vemos também, meus irmãos, que os cristãos
castos são os mais perfeitos. Nós os vemos reservados em suas palavras, modestos
em todos os seus passos, sóbrios em suas refeições, respeitosos no lugar santo e
edificantes em toda sua conduta. Santo Agostinho compara aqueles que têm a
grande alegria de conservar seu coração puro, aos lírios que se elevam diretamente
ao céu e que difundem em seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos
faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a
todos aqueles que a olhavam... Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe
entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!
II - O amor que os Santos tinham por esta virtude
Todos os Santos fizeram o maior caso dela e preferiram perder seus bens, sua
reputação e sua própria vida a descorar esta virtude.
Nós temos um belo exemplo disto na pessoa de Santa Inês. Sua formosura e suas
riquezas fizeram com que, à idade de doze anos, ela fosse procurada pelo filho do
prefeito da cidade de Roma. Ela lhe fez saber que estava consagrada ao bom Deus.
Ela foi presa sob o pretexto de que era cristã, mas em realidade para que consentisse
nos desejos do rapaz. Ela estava de tal modo unida a Deus que nem as promessas,
nem as ameaças, nem a vista dos carrascos e dos instrumentos expostos diante de si
para amedrontá-la, não a fizeram mudar de sentimentos. Não tendo conseguido nada
dela, seus perseguidores a carregaram de cadeias, e quiseram colocar uma argola e
anéis em seu pescoço e em sua mãos; eles não puderam fazê-lo, tão débeis eram
suas pequenas mãos inocentes. Ela permaneceu firme em sua resolução, no meios
destes lobos enraivecidos, ela ofereceu seu corpinho aos tormentos com uma
coragem que espantou aos carrascos. Arrastam-na aos pés dos ídolos; mas ela
confessa bem alto que só reconhece por Deus a Jesus Cristo, e que os ídolos deles
não são mais que demônios. O juiz, cruel e bárbaro, vendo que não consegue nada,
crê que ela será mais sensível diante da perda daquela pureza que ela estimava tanto.
Ele ameaça expô-la num lugar infame; mas ela responde com firmeza; “Vós podeis
fazer-me morrer, mas não podereis jamais fazer-me perder este tesouro: o próprio
Jesus Cristo é zeloso deste tesouro.” O juiz, morrendo de raiva, manda conduzi-la ao
lugar das torpezas infernais. Mas Jesus Cristo, que velava por ela duma maneira
particular, inspira um tão grande respeito aos guardas, que eles só a olhavam com
uma espécie de pavor, e manda a Seus anjos que a protejam. Os jovens que entram
naquele quarto, inflamados de um fogo impuro, vendo um anjo ao lado dela, mais
belo que o sol, saem dali abrasados do amor divino. Mas o filho do prefeito, mais
perverso e mais corrompido que os outros, penetra no quarto onde estava santa Inês.
Sem ter consideração por todas aquelas maravilhas, ele se aproxima dela na
esperança de contentar seus desejos impuros; mas o anjo que guarda a jovem mártir
fere o libertino que cai morto a seus pés. Rapidamente se espalha em Roma o boato
de que o filho do prefeito tinha sido morto por Inês. O pai, enfurecido, vem
encontrar a santa e se entrega a tudo o que seu desespero lhe pode inspirar. Ele a
chama de fúria do inferno, monstro nascido para a desolação de sua vida, pois tinha
feito morrer seu filho. Santa Inês lhe responde tranqüilamente: “É que ele quis
fazer-me violência, então o meu anjo lhe deu a morte.” O prefeito, um pouco
acalmado, lhe diz: pois bem, pede a teu Deus para ressuscitá-lo, para que não se
diga que foste tu que o mataste.” – Sem dúvida, diz-lhe a Santa, vós não mereceis
esta graça; mas para que saibais que os cristãos nunca se vingam, mas, pelo
contrário, eles pagam o mal com o bem, saí daqui, e eu vou pedir ao bom Deus por
ele.” Então Inês se põe de joelhos, prostrada com a face em terra. Enquanto ela reza,
seu anjo lhe aparece e lhe diz: “Tenha coragem”. No mesmo instante o corpo
inanimado retoma a vida. O jovem ressuscitado pelas orações da Santa, se retira da
casa, corre pelas ruas de Roma gritando: “Não, não, meus amigos, não há outro
Deus que o dos cristãos, todos os deuses que nós adoramos não são mais que
demônios que nos enganam e nos arrastam ao inferno.” Entretanto, apesar de um tão
grande milagre, não deixaram de a condenar. Então o tenente do prefeito manda que
se acenda um grande fogo, e faz lançá-la nele. Mas as chamas entreabrindo-se, não
lhe fazem nenhum mal e queimam os idólatras que acudiram para serem
espectadores de seus combates. O tenente, vendo que o fogo a respeitava e não lhe
fazia nenhum mal, ordena que a firam com um golpe de espada na garganta, afim de
lhe tirar a vida; mas o carrasco treme como se ele mesmo estivesse condenado à
morte... Como os pais de Santa Inês chorassem a morte de sua filha, ela lhes aparece
dizendo-lhes: “Não choreis minha morte, pelo contrário, alegrai-vos de eu Ter
adquirido uma tão grande glória no Céu.”
Estais vendo, meus irmãos, o que esta Santa sofreu para não perder sua virgindade.
Formai agora idéia da estima em que deveis ter a pureza, e como o bom Deus se
compraz em fazer milagres para se mostrar-se seu protetor e guardião. Como este
exemplo confundirá um dia estes jovens que fazem tão pouco caso desta bela
virtude! Eles jamais conheceram seu preço. O Espírito Santo tem, portanto, razão de
exclamar: “Ó, como é bela esta geração casta; sua memória é eterna, e sua glória
brilha diante dos homens e dos anjos!” É certo, meus irmãos, que cada um ama seus
semelhantes; também os anjos, que são espíritos puros, amam e protegem duma
maneira particular as almas que imitam sua pureza. Nós lemos na Sagrada Escritura
que o anjo Rafael, que acompanhou o jovem Tobias, prestou-lhe mil serviços.
Preservou-o de ser devorado por um peixe, de ser estrangulado pelo demônio. Se
este jovem não tivesse sido casto, é certíssimo que o anjo não o teria acompanhado,
nem lhe teria prestado tantos serviços. Com que gozo não se alegra o anjo da guarda
que conduz uma alma pura!
Não há outra virtude para conservação da qual Deus faça milagres tão numerosos
como os que ele pródiga em favor duma pessoa que conhece o preço da pureza e
que se esforça por salvaguardá-la. Vede o que Ele fez por Santa Cecília. Nascida em
Roma de pais muito ricos, ela era muito instruída na religião cristã, e seguindo a
inspiração de Deus, ela Lhe consagrou sua virgindade. Seus pais, que não o sabiam,
prometeram-na em casamento a Valeriano, filho de um senador da Cidade. Era,
segundo o mundo, um partido bem considerado. Ela pediu a seus pais o tempo de
pensá-lo. Ela passou este tempo no jejum, na oração e nas lágrimas, para obter de
Deus a graça de não perder a flor daquela virtude que ela estimava mais que sua
vida. O bom Deus lhe respondeu que não temesse nada e que obedecesse a seus
pais; pois, não somente não perderia esta virtude, mas ainda obteria... Consentiu,
pois, no matrimônio. No dia das núpcias, quando Valeriano se apresentou, ela lhe
disse: “Meu caro Valeriano, eu tenho um segredo a lhe comunicar.” Ele lhe
respondeu: “Qual é este segredo? ” – Eu consagrei minha virgindade a Deus e
jamais homem algum me tocará, pois eu tenho um anjo que vela por minha pureza;
se você atenta contra isto, você será ferido de morte”. Valeriano ficou muito
surpreso com esta linguagem, porque sendo pagão, não compreendia nada de tudo
isto. Ele respondeu: “Mostre-me este anjo que a guarda.” A Santa replicou: “Você
não pode vê-lo porque você é pagão. Vá ter com o Papa Urbano, e peça-lhe o
batismo, você em seguida verá o meu anjo”. Imediatamente ele parte. Depois de Ter
sido batizado pelo Papa, ele volta a encontrar sua esposa. Entrando no seu quarto, vê
o anjo velando com Santa Cecília. Ele o acha tão bonito, tão brilhante de glória, que
fica encantado e tocado por sua formosura. Não somente permite à sua esposa
permanecer consagrada a Deus, mas ele mesmo faz voto de virgindade ... Em breve
eles tiveram a alegria de morrerem mártires. Estais vendo como o bom Deus toma
cuidado duma pessoa que ama esta incomparável virtude e trabalha por conservá-la?
Nós lemos na vida de Santo Edmundo que, estudando em Paris, ele se encontrou
com algumas pessoas que diziam tolices; ele as deixou imediatamente. Esta ação foi
tão agradável a Deus, que Ele lhe apareceu sob a forma de um belo menino e o
saudou com um ar muito gracioso, dizendo-lhe que com satisfação o tinha visto
deixar seus companheiros que mantinham conversas licenciosas; e, para
recompensá-lo, prometia que estaria sempre com ele. Além disto, Sto. Edmundo
teve a grande alegria de conservar sua inocência até a morte. Quando Santa Luzia
foi ao túmulo de Santa Águeda para pedir ao Bom Deus, por sua intercessão, a cura
de sua mãe, Santa Águeda lhe apareceu e lhe disse que ela podia obter, por si
mesma, o que ela pedia, pois que, por sua pureza, ela tinha preparado em seu
coração uma habitação muito agradável ao seu Criador. Isto nos mostra que o bom
Deus não pode recusar nada a quem tem a alegria de conservar puros seu corpo e
sua alma.
Escutai a narração do que aconteceu a Santa Pontamiena que viveu no tempo da
perseguição de Maximiano. Esta jovem era escrava dum dissoluto e libertino, que
não cessava de a solicitar para o mal. Ela preferiu sofrer todas as sortes de
crueldades e de suplícios a consentir nas solicitações de seu senhor infame. Este,
vendo que não podia conseguir nada, em seu furor, entregou-a como cristã nas mãos
do governador, a quem prometeu uma grande recompensa se a pudesse conquistar.
O juiz mandou que a conduzissem ante seu tribunal, e vendo que todas as ameaças
não a faziam mudar de sentimentos, fez a Santa sofrer tudo o que a raiva pôde lhe
inspirar. Mas o bom Deus concedeu à jovem mártir tanta força que ela parecia ser
insensível a todos os tormentos. Aquele juiz iníquo, não podendo vencer sua
resistência, faz colocar sobre um fogo bem ardente uma caldeira cheia de pez, e lhe
diz: “Veja o que lhe preparam se você não obedece a seu senhor.” A santa jovem
responde sem se perturbar: “Eu prefiro sofrer tudo o que vosso furor puder vos
inspirar a obedecer aos infames desejos de meu senhor; aliás, eu jamais teria
acreditado que um juiz fosse tão injusto de me fazer obedecer aos planos de um
senhor dissoluto.” O tirano, irritado por esta resposta, mandou que a lançassem na
caldeira. “Ao menos mandai, diz-lhe ela, que eu seja lançada vestida. Vós vereis a
força que o Deus que nós adoramos dá aos que sofrem por Ele.” Depois de três
horas de suplício, Pontamiena entregou sua bela alma a seu criador, e assim
alcançou a dupla palma do martírio e da virgindade.
III - Como esta virtude é pouco conhecida e apreciada no mundo
Ai, meus irmãos, como esta virtude é pouco conhecida no mundo, quão pouco nós a
estimamos, quão pouco cuidado nós pomos em conservá-la, quão pouco zelo temos
em pedi-la a Deus, pois que não a podemos ter de nós mesmos. Não, nós não
conhecemos esta bela e amável virtude que ganha tão facilmente o coração de Deus,
que dá um tão belo brilho a todas as nossas outras boas obras, que nos eleva acima
de nós mesmos, que nos faz viver sobre a terra como os anjos no céu!...
Não, meus irmãos, ela não é conhecida por este velhos infames impudicos que se
arrastam, se rolam e se submergem na lama de suas torpezas, cujo coração é
semelhante àqueles ... sobre o alto das montanhas... queimados e abrasados por estes
fogos impuros. Ai! Bem longe de procurar extingui-lo, eles não cessam de acendê-lo
e abrasá-lo por seus olhares, por seus pensamentos, seus desejos e suas ações. Em
que estado estará esta alma, quando aparecer diante de Deus, a Pureza mesma? Não,
meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por esta pessoa, cujos lábios não são
mais que uma abertura e um tubo de que o inferno se serve para vomitar suas
impurezas sobre a terra, e que se alimenta disto como de um pão quotidiano. Ai! A
alma deles não é mais que um objeto de horror para o céu e para a terra! Não, meus
irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estes jovens cujos olhos e mãos estão
profanados por estes olhares e ... Ó DEUS, QUANTAS ALMAS ESTE PECADO
ARRASTA PARA O INFERNO!... Não, meus irmãos, esta bela virtude não é
conhecida por estas moças mundanas e corrompidas que tomam tantas precauções e
cuidados para atraírem sobre si os olhos do mundo; que por seus enfeites exagerados
e indecentes, anunciam publicamente que são infames instrumentos de que o inferno
se serve para perder as almas; estas almas que custaram tantos trabalhos, lágrimas e
tormentos a Jesus Cristo! ... Vede estas infelizes, e vós vereis que mil demônios
circundam sua cabeça e seu coração. Ó meu Deus, como a terra pode suportar tais
sequazes do inferno? Coisa mais espantosa ainda, como mães as suportam num
estado indigno de uma cristã! Se eu não temesse ir longe demais, eu diria a estas
mães que elas valem o mesmo que suas filhas. Ai, este infeliz coração e estes olhos
impuros não são mais que uma fonte envenenada que dá a morte a qualquer que os
olha e os escuta. Como tais monstros ousam se apresentar diante de um Deus santo e
tão inimigo da impureza! Ai! A vida deles não é mais que uma acumulação de
banha que eles estão juntando para inflamar o fogo do inferno por toda a eternidade.
Mas, meus irmãos, deixemos uma matéria tão desagradável e tão revoltante para um
cristão, cuja pureza deve imitar a de Jesus Cristo mesmo; e voltemos à nossa bela
virtude da pureza que nos eleva até o céu, que nos abre o coração adorável de Jesus
Cristo, e nos atrai todas as bênçãos espirituais e temporais.
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